LUCROS x SALÁRIOS

Boas vendas nos atacarejos não chegam para quem trabalha

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Em 2024, os atacarejos apresentaram um avanço de 12,9% nas vendas, o maior crescimento dentre todos os formatos do varejo alimentar. Em 2025, o cenário segue bem. O cash & carry (negócio de autoatendimento) já teve um aumento de 13,9% nas vendas entre os dois primeiros meses do ano, comparado ao mesmo período de 2023.

Os dados são do levantamento Movimentações do Atacarejo no Brasil, desenvolvido pela NielsenIQ. As vendas crescem mesmo com a expansão de lojas apresentando desaceleração no último ano. Em 2022, esse formato cresceu 15,6% no número de lojas, ante 10,3% em 2023 e 6,1% em 2024.

Entre janeiro e fevereiro de 2025, metade do desempenho dos atacarejos veio das mesmas lojas, que também apresentaram um avanço de 13,9% nas vendas em 2024. Todas classes sociais apresentaram aumento no gasto e tíquete médio em 2024. A classe A e B teve um avanço de 17,4% no gasto médio e de 9,1% no tíquete médio; já no caso da classe C esses percentuais foram de 16,1% e 7,7%; e nas classes D e E foi de 17,5% e 9,9%, respectivamente.

NEGOCIAÇÕES DIFÍCEIS

Se é bom para o comércio e a economia um setor está de vento em polpa, o que se constata é que os bons números não chegam como deveriam para o bolso de quem faz as lojas faturarem: a categoria comerciária do setor de supermercados. É o que se constata nas mesas de negociações das campanhas salariais.

“A FEC acompanha os sindicatos e, em alguns casos, participa de negociações. Os empresários, especialmente das grandes redes, sempre alegam dificuldades para conceder ganho real, propondo apenas a reposição da inflação. É com a força das ações das entidades e a firmeza na mesa que se consegue algo mais”, pontua Jairo Araújo, presidente da Federação.

Vale lembrar que, além desse crescimento nos atacarejos, o setor supermercadista teve um aumento no volume de vendas de 11,6%, maior que no Brasil, que foi 5,8%. A receita nominal aumentou em 13,7% e, mesmo descontando a inflação de 4,87%, fica um ganho real de 8,5%. “Mesmo com números positivos, muitas empresas não têm Programa de Participação nos Lucros e Resultados, e na hora de reajustar os salários ainda choram na mesa. Por isso, a luta dos sindicatos é para mudar essa lógica”, afirma.

com informações do SA Mais Varejo

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