SALVADOR É RAÇA

Sindicato realiza ato político-cultural do Novembro Negro

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Uma noite com música negra e reflexões importantes sobre a situação e os desafios da população negra marcou a sexta-feira (14) do Sindicato dos Comerciários de Salvador. A ação política e cultural do Novembro Negro reuniu dirigentes e trabalhadores da base no Espaço Cultural da entidade. A animação ficou por conta da banda de mulheres Yayá Muxima e Adailson Poesia.

A secretária de Gênero, Raça e Etnia do Sindicato, Cherry Almeida, destacou a importância da iniciativa. “Nossa categoria é força motriz da cidade que tem a cara do povo negro. Nosso sindicato tem uma trajetória de lutas contra a discriminação e por promoção da igualdade no comércio. Queríamos ver gente negra nos shoppings de Salvador. Com a nossa luta, conseguimos isso”, celebrou.

O presidente do Sindicato, Renato Ezequiel, reforçou que a entidade está atenta a esse tema e apontou desafios atuais. “A população negra segue resistente contra o racismo e à violência. Em 2026 teremos a grande batalha eleitoral. Precisamos derrotar essa direita que ataca os direitos do povo e dos trabalhadores. Estamos na luta contra toda forma de discriminação e opressão”, enfatizou.

FALAS IMPORTANTES

Em nome da FEC Bahia, o vice-presidente Reginaldo Oliveira destacou a criatividade do povo negro para superar dificuldades. “Hoje, sempre teve grande influência na arte, na cultura, no esporte, na ciência, mas as elites nunca querem ver nosso potencial. Com nossa luta, ocupamos espaços nas universidades, na política, nas empresas. Sabemos que é preciso avançar mais. Cada um de nós tem um pouco de Zumbi e o Novembro Negro é para resgatarmos a história de luta do nosso povo”, afirmou.

Um dos fundadores da UNEGRO (União de Negros e Negras pela Igualdade), o secretário de Finanças do SntraSuper, Antônio Suzart lembrou a criação da entidade teve muitas mãos, inclusive de comerciários. Nossos sindicatos são plurais e brigam por salários e para combater o racismo no mercado de trabalho. No 20 de Novembro, celebramos a morte de Zumbi, que se tornou o Dia da Consciência Negra, um feriado nacional definido pelo presidente Lula. É bom lembrar que as políticas afirmativas dos governos de Lula e Dilma ajudaram a melhorar a situação. Mas, seguimos lutando contra as desigualdades e contra o racismo”, enfatizou.

Gisélia Cruz, do Fórum de Mulheres Negras Evangélicas ressaltou que é possível flutuar a negritude em todos os espaços. “Sou ex-comerciária e hoje, professora. A educação é nossa maior arma contra o racismo e para mudar essa realidade: até 13 maio de 1888, eram as senzalas. A partir de 14 de maio 1888, vieram as favelas”, criticou.

A líder comunitária Danúbia Santos, responsável pela Noite da Beleza Negra de Sussuarana, lembrou de suas experiências no Sindicato dos Comerciários e da luta que desenvolve com o grupo Negritude Sussuarana. “Realizamos várias atividades para incluir e conscientizar a população negra. Não poderia deixar de lembrar que fui estagiária do então vereador Oliveira e assessora no Sindicato, experiências que me ajudaram muito”, destacou.

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