138 ANOS APÓS ABOLIÇÃO

Live da CTB aponta desafios das mulheres negras

COMPARTILHE

Um encontro virtual com troca de saberes e experiências entre várias sindicalistas de todo o Brasil. Essa foi a marca da Live da CTB Nacional “Mulheres Negras, 138 anos após a abolição – Desafios e perspectivas na luta por direitos, igualdades e democracia”, promovida nesta terça-feira (28), pela Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.

Na abertura, a secretária adjunta de Políticas de Promoção da Igualdade, Raimunda Leone, reforçou o objetivo do encontro: debater os desafios e perspectivas atuais da luta das mulheres negras. “Após 138 anos, a liberdade plena ainda não chegou para a população negra, especialmente as mulheres. Libertaram as pessoas escravizadas, mas não garantiram condições de sobrevivência e trabalho livre, limitando acesso a direitos fundamentais. Garantir igualdade de gênero e raça é responsabilidade de toda a sociedade e a CTB tem jogado papel importante no reconhecimento do protagonismo das mulheres negras para a construção do Brasil, preservação da nossa cultura e na luta por direitos e uma vida mais digna. Queremos o fortalecimento das políticas afirmativas e sociais para mudar a realidade difícil das mulheres negras, com valorização do trabalho”, enfatizou.

O secretário nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Jerônimo Silva Jr, parabenizou Raimunda e a organização da Live. “O 25 de julho tem um significado importante para a luta das mulheres negras. As sindicalistas negras mostraram que o 8 de Março não abarcava todos os conteúdos referentes às mulheres negras. Isso ajudou aos movimentos sociais a terem uma visão mais ampla da luta feminista. Conseguimos mostrar que a luta contra o racismo é parte da luta contra o capitalismo. A UNEGRO e outras entidades ajudaram a reforçar que a luta contra o racismo é de todos os segmentos e não apenas da população negra. É assim que construiremos uma sociedade mais justa e igualitária”, frisou.

Para a presidenta da CTB Bahia, Rosa de Souza, encontros como esse reafirmam o papel das mulheres negras na luta política e sindical. “Nossa Central tem sido pioneira, mas precisa avançar mais para ajudar a luta das mulheres negras e das trabalhadores. Nossos desafios atuais são o fim da escala 6×1, ter mais mulheres na política, reeleger Lula presidente e deputadas para ampliar a voz das mulheres na Câmara Federal”, pontuou.

TRABALHADORAS E O 25 D EJULHO

Secretária da Mulher Trabalhadora, Kátia Branco destacou o simbolismo do Julho das Pretas. “Com duas celebrações importantes: Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha, e o Dia Nacional de Tereza de Benguela. Precisamos valorizar nossas dirigentes da CTB que constroem o trabalho da Central para as mulheres trabalhadoras”, frisou.

O 25 de Julho foi destacado pela dirigente nacional da CTB, Eremir Melo. “Resgatar é importante para lembrar e reconhecer a história e a resistência das mulheres negras. Não existe justiça social enquanto a classe trabalhadora não tiver uma vida digna, com mais direitos, saúde e igualdade, principalmente de gênero e raça. Temos que valorizar as mulheres que vieram antes e abriram caminhos com suas lutas, e que as negras sempre estiveram na linha de frente. Temos que denunciar que a população negra foi abandonada pelo Estado brasileiro após a abolição. Desigualdade tem cor e gênero, confirmada pelas estatísticas dos problemas sociais. Por isso, é essencial a reeleição do presidente Lula e a eleição de deputados federais e senadores comprometidos com esse projeto, único capaz de avançar no que precisamos”, ponderou.

FEMINISMO NEGRO

Convidada especial, a dirigente do PCdoB Nacional e da Secretaria de Promoção da Igualdade do governo baiano, Daniele Costa parabenizou a CTB por colocar a mulher no nome da Central. “As mulheres negras com o feminismo negro mostraram que que estávamos no lugar do trabalho, junto com os homens negros. Temos que reconhecer o lugar de protagonismo e resistência das mulheres negras, inspiradas pelo legado de Maria Felipa, Luiza Mahin e Tereza de Benguela, entre outras. A geração atual deve preservar nossa ancestralidade. Temos que divulgar as políticas afirmativas dos governos de Lula e Dilma, que garantiram mais mulheres negras nas universidades e em espaços importantes. Vamos incentivar a ocupação dos espaços de poder por mulheres negras”, defendeu.

SERVIÇO PÚBLICO

Para Sandra Silva, dirigente do Sindicato dos Servidores de Macaé (RJ), a Lei áurea foi apenas o fim legal da escravidão. “O serviço público é porta de entrada para milhares de mulheres negras no Brasil. Somos maioria no setor e 39% são negras, mas apenas 10% estão nos cargos de chefia. Não vemos negras nos cargos mais estratégicos do serviço público. Enfrentamos ainda desigualdade salarial, baixa ocupação de cargos de liderança e falta de representatividade no topo da carreira na administração pública”, criticou.

TRABALHADORAS RURAIS

A trabalhadora rural e dirigente da CTB Minas, Preta Costa, ressaltou que na zona rural, as mulheres negras sofrem ainda mais os problemas sociais e são mais vulneráveis. As políticas públicas, crédito e tecnologia não chegam até nós, mesmo com participação importante nas comunidades rurais. Infelizmente, a cultura elitistas diz que a mulher negra nasceu para servir, dificultando sua inserção nas lutas por cidadania. É importante reforçar a consciência de classe, raça e gênero nessas mulheres”, afirmou.

SAÚDE E REVISTA

Segundo Dani Moretti, secretária de Saúde da CTB Nacional, a Central trabalha muito as questões específicas da classe trabalhadora. “A saúde da mulher negra tem especificidades e o SUS precisa avançar para garantir um atendimento melhor e mais acesso às políticas de saúde. Temos que acabar a contradição entre leis que pegam e leis que não pegam, especialmente em relação às mulheres negras. Hoje, temos empoderamento e os sindicatos para ajudar a mudar essa difícil realidade”, apontou.

Dirigente nacional da CTB, Celina Aréas reforçou o avanço da CTB ao colocar mulher trabalhadora no nome. “Mas, precisa avançar muito na promoção de mais mulheres aos cargos principais. Estamos ainda mais presentes nas secretarias adjuntas. Vamos resgatar a revista Mulher de Classe, com a participação de todas as secretarias”, disse.

MUNDO DO TRABALHO

Historiadora, coordenadora do Sintest-USFS e dirigente da CTB BAhia, Daiana Alcântara lembrou que o Dieese tem vários estudos sobre o mundo do trabalho. “Eles mostram que os problemas sociais e econômicos têm gênero e raça. Parabenizo esse evento, uma noite de trocas de experiências e muitas indicações para vencermos os desafios atuais. Fazendo esses movimentos, a gente inspira outras mulheres a atuarem em defesa dos seus direitos e por uma sociedade melhor para todas. Inspira mais mulheres negras a ocuparem mais espaços na sociedade”, enfatizou.

 

COMPARTILHE
Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.