ELEIÇÕES E O VAREJO

Análise sobre fechamento de empresas X economia bem

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Um fenômeno novo no Brasil chama atenção e exige análise mais aprofundada para entender suas causas. Como explicar o fechamento de empresas do varejo quando a economia vem apresentando sinais positivos? Vemos crescimento do PIB, inflação dentro da meta, redução do desemprego e aumento do emprego e da renda, essenciais para o setor. Do outro lado, grandes empresas fechando ou pedindo recuperação judicial.

Se a economia está normal – e crescendo positivamente -, o problema pode estar na gestão administrativa e financeira. Casos recentes mostram crises em grandes empresas, com maquiamento de balanços e resultados, gerando enriquecimento dos donos e prejuízos para a economia, consumidores e funcionários.

Uma análise do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo (Ibevar), em parceria com a FIA Business School, revela que o varejo brasileiro pode enfrentar em 2026 um dos maiores níveis de fechamento de empresas da década. E que a combinação entre ano eleitoral e instabilidade institucional é um dos principais fatores de risco para o setor.

A análise foi realizada observando 12 anos de fechamento de empresas em 13 segmentos do varejo, entre 2011 e 2022. “Os dados são claros: crise política e ruptura institucional fecham mais empresas do que recessão econômica pura. O mercado brasileiro tolera mal a incerteza institucional — muito pior do que tolera a incerteza econômica convencional”, afirma Claudio Felisoni, presidente do Ibevar e professor da FIA Business School.

Os dados mostram que a recessão de 2015 e 2016, marcada pela queda de cerca de 3,5% do PIB, teve impacto menor sobre o fechamento de empresas do que outros períodos de crise. O modelo estima um aumento de 5,5 pontos percentuais no indicador.

DIFERENÇA ENTRE SEGMENTOS

O estudo identificou diferenças no comportamento dos setores. Vestuário e Acessórios apresentou o maior nível de fechamento estrutural, com 20,35 pontos percentuais acima da referência. Na sequência aparecem Alimentos Especializados, com 14,5 pontos, e Tecidos e Armarinho, com 10,6 pontos. Farmácias e Saúde, com -2,5 pontos, e Esporte e Lazer, com -4,6 pontos, apresentaram os menores níveis de fechamento.

A diferença entre os segmentos diminui em períodos de crise mais intensa. Em 2018, por exemplo, até o segmento considerado mais resistente registrou taxa de fechamento de 23,5%, acima do pior resultado observado em um ano considerado normal para o setor mais vulnerável.

CENÁRIO PARA 2026

Para avaliar 2026, os pesquisadores compararam o cenário atual com quatro referências históricas: anos considerados normais e os períodos de 2015, 2018 e 2021. Segundo Felisoni, os parâmetros analisados aproximam 2026 de 2018, e não do cenário observado durante a recessão de 2015. A principal semelhança está na combinação entre um ano eleitoral e um ambiente de maior instabilidade institucional.

Na verdade, política e economia andam juntas o tempo todo no sistema capitalista, sendo que a primeira dá o tom de como direcionar os rumos econômicos de um país. Pela linha de raciocínio do estudo, nas eleições de outubro, será importante fazer a escolha política que pode garantir o Brasil seguir sem sobressaltos, com um ambiente de negócios favorável, crescimento do PIB, melhorias salariais e de renda, e com atração de mais investimentos estrangeiros.

com informações do Mercado & Consumo

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