CIPISTAS DE SUPERMERCADOS
Encontro do SintraSuper debate NR-1 e temas importantes
Um dia de muita informação, troca de experiência e capacitação para cipistas dos supermercados de Salvador. Assim foi o 3º Encontro de Cipistas do SintraSuper, realizado nesta quarta-feira (19), na APLB-Sindicato, Centro da capital. Com o tema “A nova jornada da segurança e saúde no trabalho importa”, os participantes debateram a legislação e ações para garantir a saúde e a segurança no trabalho dentro dos supermercados de Salvador. Ao final, os cipistas receberam o certificado de participação.
“Hoje é um dia de trabalho diferente para nós, de supermercados. Vamos reforçar nossos conhecimentos com muita informação importante, que vai nos ajudar a prevenir vários problemas que enfrentamos dentro das lojas. Precisamos conhecer melhor as NRs [Normas Regulamentadoras] para garantir locais de trabalho saudáveis”, disse na abertura, Carine Dias, secretária de Saúde do SintraSuper.

A presidenta do Sindicato, Rosa de Souza, destacou que a entidade atua além das lutas por salário. “Realizamos ações culturais, esportivas e referentes à saúde da categoria. Em 25 anos, nossa luta é para garantir uma vida digna a que trabalha no setor de supermercados. Nossa história recente tem como legado as grandes greves da rede Paes Mendonça, no final dos anos 80”, lembrou.

O presidente da FEC Bahia, Jairo Araújo, falou do papel dos sindicatos. “Esse encontro mostra que os trabalhadores devem valorizar e fortalecer suas entidades. Aqui, vocês aprimoram o conhecimento para aplicar nas lojas. Mas, é a ação com o sindicato que garante reajuste salarial, pagamento dos domingos e feriados, além de atuar para as empresas cumprirem as leis e avançarem em mecanismos de prevenção de acidentes e doenças do trabalho”, ponderou.

REFLEXÕES
Foram convidados para contribuir com o debate, a deputada federal Alice Portugal (PCdoB) e o candidato a deputado estadual Rui Oliveira. “Quando dirigi a ASSUFBA, criei a primeira CIPA em universidades públicas, no Hospital das Clínicas da UFBA. Acidentes de trabalho e adoecimento mental viraram uma epidemia no Brasil. Os sindicatos lutam diariamente para mudar isso. É importante reduzir a jornada de trabalho acabando a escala 6×1 e implantando a 5×2. Quem trabalha merece mais qualidade de vida”, afirmou Alice.

A deputada disse que o fim das 6×1 sintetiza a luta histórica pela redução da jornada de trabalho, que deu origem ao 1º de Maio e ao 8 de Março. “Assinei a primeira PEC Com Erika Hilton e o presidente Lula enviou um projeto do governo para agilizar a votação. Foi aprovado por ampla maioria na Câmara Federal e, agora, está no Senado. Depois que Lula conversou com Alcolumbre, o projeto foi para a Comissão de Constituição e Justiça. O senador Otto Alencar é o presidente e se diz favorável à classe trabalhadora. Vamos atuar nas ruas e nas redes sociais para o Senado aprovar”, enfatizou
Rui Oliveira ressaltou o momento importante para o Brasil no enfrentamento contra a extrema-direita e para reduzir a jornada de trabalho. “Vamos acabar com a escala 6×1, que é uma escala de escravidão. A luta no Senado exige mobilização, como aconteceu na Câmara Federal. Agora, é voltar às ruas e às redes sociais para pressionar os senadores. No dia 30 de agosto, teremos um grande ato em Salvador pela votação da PEC. Estamos também na luta contra o feminicídio. É um absurdo o Brasil ser um dos países com mais assassinatos de mulheres. Temos que mudar essa realidade”, disse.

Também falaram parabenizando o encontro e reforçando que a luta por saúde e segurança no trabalho passa pelo fim da escala 6×1 e atuação dos sindicatos e das CIPAs, Renato Ezequiel (presidente do Sindicato dos Comerciários de Salvador) e Cherry Almeida (secretária adjunta de Saúde da CTB Bahia).

PALESTRAS E DEBATES
Na Mesa I “Resgate da NR-5, atualização da NR-1, legislação e os impactos para a classe trabalhadora”, o advogado do SintraSuper, dr. Diego Freire, e advogada dra. Nildes Carvalo falaram sobre os aprimoramentos feitos na norma e explicaram como os cipistas podem atuar para o seu cumprimento.

Os magistrados ressaltaram a importância de os sindicatos acompanharem o PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos), aumentar a ação e pedir relatórios dos órgãos públicos de trabalho, como a SRTE-BA, além de denunciar casos de risco claro e colocar cláusulas na Convenção Coletiva de Trabalho.
A médica do trabalho Suerda Souza tratou do tema assédio moral e saúde mental com as mudanças na NR-1. Ela avaliou quais os impactos relevantes na vida dos trabalhadores e trabalhadoras. “Um dos grande problemas são as metas absurdas imposta aos funcionários pelas empresas. Em um supermercado, descobri que caixas estão tendo metas de vender produtos, e sem ganhar nada por isso. No Brasil, entre 2022 e 2024, entre os afastamentos por transtornos mentais, 39% foram por ansiedade e 30,5%, por episódios depressivos”, pontuou.

Outro tema que afeta a saúde dos trabalhadores foi tratada pela vereadora Aladilce Souza (PCdoB): mobilidade urbana. ” Que bom o SintraSuper debater esses temas. Os sistemas de mobilidade urbana precisam evoluir junto com as cidades. Em Salvador, 30 % da população anda a pé. Houve redução do número de empresas de transportes. Se o Metrô e o VLT ajudam a melhorar o sistema, a Prefeitura reduziu o número de linhas de ônibus. Temos a maior tarifa do Nordeste e a quarta maior do Brasil. Temos qualidade oferecida pelo metrô e o VLT, e os ônibus sucateados, que demoram para chegar nos pontos. As pessoas perdem a integração, horário de médico e de trabalho, e ainda pagam a nova passagem. Isso afeta o psicológico das pessoas”, destacou.
